Sango
Deus
do raio, do trovão, da justiça e do fogo. Sàngó
é símbolo do rei Deus em Benin. É o deus do raio e do
trovão. Contrariamente a Ògún (Deus dos Ferreiros) que
emprega o fogo artificial, Sàngó manipula o fogo em estado selvagem,
o fogo que os homens não sabem utilizar. É um orixá temido
e respeitado, é viril e violento, porém justiceiro. Costuma
se dizer que xangô castiga os mentirosos, os ladrões e malfeitores.
Seu símbolo principal é o machado de dois gumes e a balança,
símbolo da justiça. Deus do fogo, que pune aos que lhe querem
mal com febres e ervas que lhe são atribuídas. Joga sobre os
inimigos sua bola de fogo através dos raios, chamadas edunara (pedra
de raio que representa o corpo de SÀNGÓ, seu símbolo
por excelência, pela mitologia do elemento procriado por um lado e que
irmana SÀNGÓ a Esú por outro lado). SÀNGÓ
é o antisímbolo da morte, ele não fica aonde há
mortes. Sua dança preferida é o Alujá, apresentado com
toques diferentes, a dança do machado, a dança da guerra. Branda
orgulhosamente o seu Oxé (uma de suas armas) e assim, na cadência,
faz o gesto de que vai pegar as pedras de raio e lançá-las sobre
a terra, demonstrando seu lado atrevido. Em certas festas traz sobre a cabeça
uma gamela de madeira, que contém fogo que começa a engolir,
revelando a origem de seu fundamento.
![]() Oxé, usado na Dança de Xangô |
Tudo que se refere a estudos, a justiça,
demandas judiciais, ao direito, contratos, pertencem a xangô. Ambicioso,
chega ao poder destronando seu meio irmão ajaka. Passa, então,
a reinar com autoritarismo e tirania, não admitindo que sua atitudes
fossem contestadas, o que possivelmente levou-o a cometer injustiças
em suas decisões. Usa o poder do fogo como seu símbolo de respeito.
Galante e sedutor, desperta a paixão da divindade oya(esposa de ógum),
uma de suas três esposas - as outras são oxum e obá -
.
Circulam a seu respeito, às vezes contradições, mas todos
são unânimes em reconhecer seu caráter violento e fogoso.
Mesmo se ignoradas em seus detalhes constatamos que sua magia profunda consiste
em suprir a tempo os acontecimentos que se superpõem, ao invés
de desenrolarem-se ao longo tempo linear e irreversível, ao longo de
um tempo mensurável. Seu tempo não tem começo e nem fim,
é um tempo reversível que supre sua duração.
Sàngó pode estar morto no rio e ao mesmo tempo estar vivo diante
do rei. Está morto... e morto estar vivo. Nele as oposições
existem simultaneamente. Para o ser humano tal situação é
ambígua e fora de lógica, dois termos contraditórios
excluem um ao outro na sincronia. Na lógica de SÀNGÓ
os dois coexistem, pois ela é caracterizada pela sincronia e pela interpolaridade.
Mortal em seu corpo, imortal em sua essência, o OBA de BENIN é
o único soberano de dupla natureza: humana e divina.
"Xangô, como
todos os outros imolè (orixás e ebora), pode ser descrito sob
dois aspectos: histórico e divino."
Como personagem histórico,
Xangô teria sido o terceiro Aláàfìn Òyó,
"Rei de Oyó", filho de Oranian e Torosi, a filha de Elempê,
rei dos tapás, aquele que havia firmado uma aliança com Oranian.
Xangô cresceu no país de sua mãe, indo instalar-se, mais
tarde, em Kòso (Kossô), onde os habitantes não o aceitaram
por causa de seu caráter violento e imperioso; mas ele conseguiu, finalmente,
impor-se pela força. Em seguida, acompanhado pelo seu povo, dirigiu-se
para Oyó, onde estabeleceu um bairro que recebeu o nome de Kossô.
Conservou, assim, seu título de Oba Kòso, que, com o passar
do tempo, veio a fazer parte de seus oríkì. Dadá-Ajaká,
filho mais velho de Oranian, irmão consanguíneo de Xangô,
reinava então em Oyó. Dadá é o nome dado pelos
iorubás às crianças cujos cabelos crescem em tufos que
se frisam separadamente. "Ele amava as crianças, a beleza, e as
artes; de caráter calmo e pacífico... e não tinha a energia
que se exigia de um verdadeiro chefe dessa época". Xangô
o destronou e Dadá-Ajaká exilou-se em Igboho, durante os sete
anos de reinado de seu meio-irmão. Teve que se contentar, então,
em usar uma coroa feita de búzios, chamada adé de baáyàni.
Depois que Xangô deixou Oyó, Dadá-Ajaká voltou
a reinar. Em contraste com a primeira vez, ele mostrou-se agora valente e
guerreiro, voltou-se contra os parentes da família materna de Xangô,
atacando os tapás.

KÁ WÒÓ, KÁ BIYÈ SÍLE
: Podemos olhar vossa real majestade.
Xangô, no seu aspecto divino,
Permanece filho de Oranian, divinizado porém, tendo Yamase como mãe
e três divindades como esposas: Oya, Oxum e Obá. Xangô
é viril e atrevido, violento e justiceiro; castiga os mentirosos, os
ladrões e os malfeitores. Por esse motivo, a morte pelo raio é
considerada infamante. Da mesma forma, uma casa atingida por um raio é
uma casa marcada pela cólera de xangô. O proprietário
deve pagar pesadas multas aos sacerdotes do orixá que vêm procurar
nos escombros os èdùn àrá (pedra de raio) lançados
por Xangô e profundamente enterrados no local onde o solo foi atingido.
Esses èdùn àrá (na realidade, machado neolíticos)
são colocados sobre um pilão de madeira esculpida (odó),
consagrado a Xangô. Tais pedras são consideradas emanações
de Xangô e contém o seu àse (axé), o seu poder.
O sangue dos animais sacrificados é derramado, em parte, sobre suas
pedras de raio para manter-lhes a força e o poder. O carneiro, cuja
chifrada tem a rapidez do raio, é o animal cujo sacrifício mais
lhe convém.
Fazendo-lhe também oferendas de amalá, iguaria preparada com
farinha de inhame regada com um molho feito com quiabos. É, no entanto,
formalmente proibido oferecer-lhe feijões brancos da espécie
sèsé. Todas as pessoas que lhe são consagradas estão
sujeitas à mesma proibição. Na Bahia, diz-se que exitem
doze Xangôs: Dadá; Oba Afonjá; Obalubé; Ogodô;
Oba Kossô; Jakutá; Aganju; Baru; Oranian; Airá Intilé;
Airá Igbonam, e Airá Adjaosi. Reina uma certa confusão
nessa lista, pois Dadá é irmão de Xangô; Oranian
é seu pai, e Aganju, um de seus sucessores. Também na Bahia
acredita-se que Ogodô é originário do território
Tapá, e que segura dois "oxés" quando dança,
sendo o seu èdùn àrá composto de dois gumes. Os
Airá seriam Xangôs muito velhos, sempre vestidos de branco e
usando contas azuis (segi) em lugar de corais vermelhos, como os outros Xangôs.
Ao que parece, teriam vindo da região de Savê (ver
mapa).
Texto de Aulo Barretti Filho
O que notamos nesse primeiro período yorubano, é que na realidade, o que se fala de Sàngó, e a sua história nos Candomblés do Brasil, e de outros acima descritos, é incorreto, levando os fiéis a crer em fatos irreais.
Inicialmente, averiguamos que Odùduwà é um Òrìsà funfun masculino e único, é o pai do povo yorubano e não uma simples "qualidade" de Òrìsànlá ou seja, são divindades totalmente distintas, inclusive, não se suportavam, pelos fatos vistos; e que também Ìyá Olóòkun, é um Òrìsà feminino e a Dona do Mar, portanto da água salgada, é quem governa os oceanos e não o Òrìsà Yemojá, "Senhora do rio Yemojá e do rio Ògùn", divindade de água doce, e muito menos mãe de Ògún e de outros filhos Òrìsà à ela atribuídos. Notar a acentuação diferente no nome do Òrìsà Ògún e do rio, pois são palavras distintas.
Quanto a Sàngó, demonstramos que foi um mortal em sua vida no Àiyé, portanto quando morreu, tornou-se um egún, pois seus pais eram mortais. O que ocorreu em sua vida, foi que uma de suas esposas, e a única que o acompanhou em sua fuga de Oyó, era a divindade Oya, loucamente apaixonada por ele, e no instante de sua morte ela o pega com o seu poder de Òrìsà e o conduz diretamente a Olódùmarè, e por insistência de Oya, Ele o "ressuscita" como uma divindade, já que em vida, Oya, perdida de amores, ensina-lhe vários segredos dos Òrìsà, principalmente o segredo do fogo que pertencia somente a Oya, que ela lhe ensina e lhe dá este poder e outros, por paixão.

Osun, Oya e Obá. Mulheres de Sango
Esta afirmação é facilmente notada, pois Sàngó é a única divindade do panteão que é assentada de forma material completamente diferente, isto é, em madeira, numa gamela sobre um pilão, sua roupa ritual é composta de várias tiras de panos, coloridas e soltas, caindo sobre as pernas, que lembra perfeitamente o tipo de roupa usada pelos Bàbá Egúngún (ancestrais) e seu animal preferido para sacrifício é também o mesmo dos egún, dos mortos comum, o carneiro; existe também outras minúcias, que aqui não cabe mencionar. Leia em artigos : O Culto dos Egúngún
Nos
Candomblés, citam Ajaká e Aganju como sendo "qualidades"
de Sàngó, que agora sabemos isto não é possível,
pois, Ajaká é seu meio irmão e Aganju é filho
de Dadá Ajaká, portanto seu sobrinho, notoriamente pessoas mortais
e completamente distintas, que fazem parte da família de Sàngó,
mas não tiveram a honra de tornarem-se Òrìsà,
mas são ancestrais ilustres. Também no Brasil, faz-se uma cerimônia
chamada de "Coroa de Dadá" ou "Adê Baiani".
que a coroa é levada ritualmente em uma charola durante as festas do
ciclo de Sàngó chamada de Banni ou lyamasse, que representa
a mãe de Sàngó. Ora, sabemos que quem usou este ade foi,
Ajaká, apelidado de Dadá, de quem Sàngó lhe roubou
o trono, e que a mãe de Sàngó foi Torosí, filha
de Elémpe, rei dos Tapa, e que ela não tem nenhuma importância
teológica, somente histórica, por ter sido mãe de um
Aláàfin.
Não estamos desmerecendo e nem tampouco desprestigiando o Òrìsà Sàngó, somente tentamos elucidar fatos notoriamente conhecidos na terra dos Yorubas, sob os aspectos histórico, através da tradição oral, e divino que se convergem e se conservam na grandiosidade de Sàngó.
NOTA* : Os mitos e/ou fatos relatados, são baseados em dados religiosos, por vezes dogmáticos, que pertencem ao corpo da tradição oral yorubana. Sob o ponto de vista cientifico, são considerados parcialmente históricos, pois não são dados comprovados por documentos e nem tampouco pela arqueologia, que pouco investiu, os "pouquíssimos" artefatos que foram achados e datados pelo carbono 14, são de datas recentes, perto da longínqua História da Civilização Yoruba. No contraponto, em nenhum momento afirmamos que não exista a História dos Yorubas, isto sim, seria um absurdo afirmar. A tradição oral pode ser contraditória e a cronologia praticamente inexistente, pela forma cultural dos yorubas mensurarem o tempo, mas jamais poderá ser negligenciada e nem tampouco rejeitada.
Aulo Barretti Filho
Junho de 1984
BIBLIOGRAFIA
Texto de Aulo Barretti Filho : "IIê-Ifé : o berço religioso dos yorubas , de Odùduwà a Sàngó" In : Revista Ébano, São Paulo ,nº 23 : 33 , Junho de 1984
Qualidades:
- AGONJÚ
Quer dizer terra firme. Tem perna de pau e é casado com YEMONJA. É o filho mais novo de ORANNIAN e o preferido, herdou sua fortuna. É o mais cruel é aquêle que leva o coração do inimigo na lança. É o SÀNGÓ amaldiçoado que matou e comeu a própria mãe.
Na verdade foi o 6º Alafin de Oyo que viveu em 1.240 A.C., aproximadamente. Era sobrinho neto de SHANGO.
- BARU
Pega tempo e come com ÈSÙ. Dependendo da época este Òrìsá ora é BARU ora é ÌRÓKÒ. Tem caminhos com OYA YÀTOPÈ . Não come quiabo nem amalá, come amendoim cozido e padê. Na África êle é chamado de maluco, pois durante seu reinado fez muita besteira, motivo pelo qual os africanos não o raspam nem assentam. Não fazia prisioneiros, matava todos.
Veste-se de marrom e branco e suas contas são iguais a roupa. Toca-se para ÈSÙ e SÀNGÓ.
BARU era muito destemido, mas quando comia quiabo, que êle gostava muito, dormia o tempo todo e por isto perdeu muitas contendas, pois, quando acordava seus adversários já tinham voltado da guerra. Êle ficava indignado. Então resolveu consultar um OLUÓ que lhe disse : Se é assim, deixe de comer quiabo - BARU perguntou : me diz o que comerei no lugar do quiabo... Só folhas... Só folhas ? perguntou BARU - Sim, respondeu o OLUÓ, tem duas qualidades , uma se chama oió e a outra xaná, são boas e gostosas como o quiabo. E BARU falou : - A partir de hoje, eu não comerei mais quiabo.
- BADÈ
É o mais jovem VODUM da família do raio ( cujo chefe é KEVIOSSO ), corresponde ao SÀNGÓ jovem dos NAGO. É irmão de LOKO. Usa roupa azul com faixa atada atras. Não fuma, não bebe nem fala. Um de seus animais prediletos é o chicharro.
- OBAKOSSO
Perdeu os poderes mágicos de transportar-se da terra para o céu, enforcando-se num pé de OBI. Tem fundamentos com ÈSÙ, ÉGÚN e OYA, devido a sua morte.
- AGODO
Muito ruim, brutal, inclinado a dar ordens e ser obedecido, foi ele quem raptou OBÁ. Come com YEMONJA
- AFONJÀ
É o dono do talismã mágico dado por OYA a mando de OBÀTÁLÁ. É aquêle que fulmina seus inimigos com o raio. Come com YEMONJA, sua mãe.
- ALAFIN
É o dono do palácio real, o governante de OYO. Vem numa parte de ÒÒSÀÀLÀ e caminha com OSOGUIAN.
- OBÀ OLUBÈ
É muito orgulhoso, intratável e muito bruto. Come com OYA.
- OLO ROQUE
Seria o pai de ÒSUN OPARÀ. Tem fundamento com ÒSÓÒSÌ. Veste vermelho e branco ou marrom e branco.
- ALUFAN
É idêntico a um AYRÀ. Confundem êle com OSÀLÚFÓN. Veste branco e suas ferramentas são prateadas.
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