Nanã
"Esta
é uma figura muito controvertida do panteão africano. Ora perigosa
e vingativa, ora praticamente desprovida de seus maiores poderes, relegada
a um segundo plano amargo e sofrido, principalmente ressentido, Nanã
possui não dois lados, como tantos Orixás, mas sim um Orixá
dentro do outro, um conceito que foi sendo gradativamente substituído
por outro, dando margem a muita confusão e contestação
no jeito de se defini-la.
Nanã, é um Orixá feminino de origem daomeana, que foi
incorporado há séculos pela mitologia ioruba, quando o povo
nagô conquistou o povo do Daomé (atual República do Benin)
, assimilando sua cultura e incorporando alguns Orixás dos dominados
à sua mitologia já estabelecida.
Resumindo esse processo cultural, Oxalá (mito ioruba ou nagô) continua sendo o pai e quase todos os Orixás. Iemanjá (mito igualmente ioruba) é a mãe de seus filhos (nagô) e Nanã (mito jeje) assume a figura de mãe dos filhos daomeanos, nunca se questionando a paternidade de Oxalá sobre estes também, paternidade essa que não é original da criação das primeiras lendas do Daomé, onde Oxalá obviamente não existia. Os mitos daomeanos eram mais antigos que os nagôs (vinham de uma cultura ancestral que se mostra anterior à descoberta do fogo). Tentou-se, então, acertar essa cronologia com a colocação de Nanã e o nascimento de seus filhos, como fatos anteriores ao encontro de Oxalá e Iemanjá."
Do livro Os Orixás, publicado pela Editora Três
Registram-se 31 qualidades desta Yami Nla (Grande Mãe), sendo as mais conhecidas: Nene Adjaosi, Sussure e Buruku.
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