Eguns
O CULTO DOS EGUNS NO CANDOMBLÉ
Os negros iorubanos originários da Nigéria trouxeram para o
Brasil o culto dos seus ancestrais chamados Eguns ou Egunguns. Em Itaparica
(BA), duas sociedades perpetuam essa tradição religiosa.
(Revista Planeta n.º 162 - março 86)
Os cultos de origem africana chegaram ao Brasil juntamente com os escravos.
Os iorubanos - um dos grupos étnicos da Nigéria (ver
mapa), resultado de vários agrupamentos tribais, tais como
Keto, Oyó, Itexá, Ifan e Ifé
(ver mapa), de forte tradição, principalmente religiosa
- nos enriqueceram com o culto de divindades denominadas genericamente de
orixás.(1 - Por motivos gráficos e para facilitar a leitura,
os termos em língua yorubá foram aportuguesados. Ex.: orisá
= orixá.)
Esses negros iorubanos não apenas adoram e cultuam suas divindades,
mas também seus ancestrais, principalmente os masculinos. A morte não
é o ponto final da vida para o iorubano, pois ele acredita na reencarnação
(àtúnwa), ou seja, a pessoa renasce no mesmo seio familiar ao
qual pertencia; ela revive em um dos seus descendentes. A reencarnação
acontece para ambos os sexos; é o fato terrível e angustiante
para eles não reencarnar.
Os mortos do sexo feminino recebem o nome de Iami Agbá (minha mãe
anciã), mas não são cultuados individualmente. Sua energia
como ancestral é aglutinada de forma coletiva e representada por Iami
Oxorongá, chamada também de Iá Nlá,
a grande mãe. Esta imensa massa energética que representa o
poder de ancestralidade coletiva feminina é cultuada pelas "Sociedades
Geledê", compostas exclusivamente por mulheres, e somente elas
detêm e manipulam este perigoso poder. O medo da ira de Iami nas comunidades
é tão grande que, nos festivais anuais na Nigéria em
louvor ao poder feminino ancestral, os homens se vestem de mulher e usam máscaras
com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter,
entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino.
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